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Lisboa Aguardado com grande expectativa face aos desafios que a globalização coloca aos trabalhadores europeus, o Congresso, órgão máximo da CES, vai definir a política geral da organização para os próximos quatro anos. Para o 11.º Congresso foi escolhido o lema "CES passa à ofensiva por uma Europa mais social, mais solidária, e por um desenvolvimento sustentável", requisitos prévios que a organização sindical considera necessários para reforçar o modelo social europeu. Desde a última reunião máxima, os sindicatos europeus "alcançaram sucessos consideráveis, como a alteração substancial do texto inicial da directiva de Serviços", refere John Monks, Secretário-geral da CES, na mensagem de boas-vindas aos participantes no Congresso. "Graças a uma forte mobilização, fizemos inflectir uma proposta que ia no sentido de uma grande liberalização dos mercados. Sucesso também no que concerne à legislação europeia sobre substâncias químicas (REACH), que vai no sentido de uma maior responsabilização da indústria na protecção da saúde dos trabalhadores", acrescenta. Muito por fazer No entanto, adianta John Monks, muito há ainda a fazer: o tratado constitucional continua num impasse, bem como a directiva sobre flexibilidade do tempo de trabalho e a que diz respeito às agências de trabalho temporário. "Devemos aprofundar as nossas actividades sobre os dossiers que terão uma importância determinante nos próximos anos, como a energia e a alteração do clima e as suas consequências no emprego". "É por isso que encaramos este período com mais determinação e passamos à ofensiva. Passamos à ofensiva também porque estamos num Mundo em mutação. Os sindicatos têm um papel a desempenhar, encontrando soluções para os numerosos problemas que os trabalhadores terão de enfrentar", exorta o Secretário-geral da CES. "Flexisegurança, melhor regulamentação do mercado de trabalho são conceitos que se desenvolvem e enraízam nos debates europeus como sendo a solução para dinamizar o crescimento e criar empregos. Não somos palermas e sabemos que essas fórmulas podem ser pretextos para inflectir as economias europeias no sentido de mais liberalização", alerta o dirigente, frisando: "Os sindicatos europeus não recusam o debate mas querem fazer ouvir a sua voz neste debate que irá certamente intensificar-se. Num contexto em que a precariedade se generaliza, devemos estar vigilantes e activos". Enfrentar capitalismo financeiro selvagem John Monks defende ainda que os sindicatos devem também "enfrentar o desenvolvimento do capitalismo financeiro selvagem que altera as regras económicas e dá um poder sobredimensionado aos accionistas em detrimento dos trabalhadores. Os fundos de investimento de alto risco são a marca deste capitalismo financeiro cada vez mais poderoso". "Marcámos pontos. Mas temos ainda batalhas a travar se queremos reforçar a Europa social que defendemos. O movimento sindical europeu terá ocasião, neste Congresso, de debater e preparar-se para as batalhas", conclui John Monks. A CES espera acolher em Sevilha os principais dirigentes sindicais europeus e numerosas personalidades como o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, e o vice Chanceler alemão Franz Mütefering, e ainda dirigentes de instituições europeias. Portugal estará representado pelos dirigentes da UGT e da CGTP. |