| Apresentação do Projecto
RAV-Rede Ferroviária de Alta Velocidade |
Hoje é | Portugal Continental -
Lisboa

INTERVENÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA
O MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E
COMUNICAÇÕES
Mário Lino : por ocasião da : Apresentação
do Projecto RAV-Rede Ferroviária de Alta Velocidade
FIL, Junqueira, Lisboa, 13 de
Dezembro de 2005
(versão
lida - original )
:: Senhora
Secretária de Estado
:: Senhores
Deputados
:: Exmas.
Autoridades Civis e Militares
:: Senhores
Presidente e Administradores da RAVE e da REFER
:: Senhores
convidados
:: Senhores
representantes dos órgãos de comunicação social
:: Minhas Senhoras
e meus Senhores
Vamos apresentar hoje, nesta sessão pública promovida
pelo MOPTC e organizada pela RAVE-Rede de Alta
Velocidade, SA, a fundamentação técnica da decisão
política e estratégica tomada pelo Governo no que
respeita ao Projecto da Rede Ferroviária de Alta
Velocidade em Portugal (Projecto RAV).
A exemplo do que foi feito aquando da apresentação
pública do Projecto do Novo Aeroporto de Lisboa, na Ota,
realizada no passado dia 22 de Novembro, o Governo vem,
assim, dar cumprimento ao compromisso assumido, perante
os portugueses, de divulgar publicamente a informação
relevante sobre os principais projectos públicos de
investimento de interesse nacional, bem como sobre as
principais decisões tomadas sobre esses projectos.
Na sua forma e conteúdo, este tipo de apresentação é
inovador no nosso País; mas ele corresponde a um exercício
mais transparente, responsável e rigoroso de cidadania,
que os portugueses exigem e que o Governo está empenhado
em promover e incentivar, contribuindo, assim, para uma maior
qualidade do processo de decisão e para uma maior
e mais consciente participação de todos os interessados
na gestão da coisa pública.
Estou ciente de que, com este tipo de actuação,
passamos a um patamar mais integrado e participado e,
portanto, mais elevado de governação, de onde será
difícil recuar no futuro. Mas é bom que assim seja: só
assim Portugal poderá prosseguir, com determinação e
segurança, na senda do desenvolvimento e da construção
de um País não só democraticamente mais avançado, mas
também mais moderno e competitivo.
Minhas Senhoras e meus Senhores :
No Mundo actual, em crescente globalização e
interactividade, a mobilidade constitui uma das
características mais marcantes da dinâmica das
sociedades, em particular das mais desenvolvidas:
mobilidade relativamente ao local de residência, estudo
e trabalho; mobilidade relativamente ao exercício e
fruição das actividades de turismo, cultura, desporto,
recreio e lazer; mobilidade relativamente ao investimento
e ao comércio de bens e serviços; mobilidade que gera
conhecimento, actividade económica, desenvolvimento
social e cultural, competitividade, coesão social e
territorial.
Portugal não pode ficar à margem deste processo,
sob pena de se remeter, inexoravelmente, à condição de
zona marginal e deprimida da Península Ibérica. Antes
pelo contrário, Portugal deve ter a ambição :
:: de
proporcionar, aos seus cidadãos, uma maior e mais
qualificada mobilidade;
:: de
desempenhar, na dinâmica da mobilidade, o papel que
está ao seu alcance no quadro da UE e a nível mundial.
Para sustentar esta ambição, e pese embora a sua
posição geográfica periférica face à Europa,
Portugal dispõe de vantagens competitivas importantes
que importa valorizar, potenciar e aproveitar. Na
realidade, a sua localização na fronteira oeste
atlântica do Continente Europeu, zona privilegiada de
confluência de rotas internacionais, permite-lhe
implementar importantes plataformas logísticas e
assumir-se, à sua escala, como um importante pólo de
mobilidade da Península Ibérica.
O território nacional constitui-se, assim, como um
importantíssimo recurso natural que importa utilizar e
potenciar como factor decisivo do nosso desenvolvimento,
tal como, aliás, também sucedeu em épocas passadas.
É neste contexto que a política de transportes
assume uma importância estratégica para Portugal.
O Programa do XVII Governo Constitucional, no que se
refere ao sector dos transportes, defende claramente a
necessidade de adopção de uma política integrada
para este sector, assente no conceito de mobilidade
sustentável e numa visão de médio-longo
prazo do papel que pode e deve competir a Portugal no
contexto europeu e mundial.
Trata-se, portanto, de uma política que, para além de
atender aos problemas do presente, tem em vista a
preparação do País para enfrentar, com confiança e
ambição, os desafios do futuro.
Num sector como o dos transportes, designadamente no que
se refere às suas infra-estruturas básicas, tal
política implica a tomada de decisões estratégicas
com repercussões durante os próximos 30 a 50 anos.
Esta política tem sido consistentemente reflectida nos
documentos enquadradores da acção do Governo,
designadamente nas Grandes Opções do Plano, no Programa
de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias e no
Orçamento de Estado para 2006.
De entre as orientações e medidas que estão a ser
seguidas e aplicadas para atingir os objectivos atrás
referidos no domínio do transporte ferroviário, assume
particular importância o desenvolvimento do Projecto da
Rede Ferroviária de Alta Velocidade :
::
no eixo Lisboa-Porto, com
ligações aos aeroportos que sirvam estas cidades ;
::
nas ligações transfronteiriças,
assegurando a articulação das redes ibéricas e o
cumprimento dos compromissos internacionais anteriormente
assumidos.
Em que ponto estamos neste processo ?
A concretização de um projecto desta natureza, atentas
as suas características (importância estratégica,
forte investimento, resposta a necessidades do País ao
longo de um período de dezenas de anos, grau de
tecnicidade, demorado tempo de desenvolvimento, etc.)
implica um complexo processo evolutivo, com várias
fases, durante as quais se terão de desenvolver os
estudos necessários à boa fundamentação das decisões
a tomar em cada fase.
Neste momento, estamos na fase da decisão política e
estratégica sobre o Projecto. Com base na
avaliação efectuada ao grande número de estudos
elaborados ao longo dos últimos anos, complementados por
novos estudos realizados nos últimos meses, o Governo
considerou estarem reunidas as condições necessárias e
suficientes para tomar a decisão política e
estratégica de avançar com a concretização do Projecto
da Rede Ferroviária de Alta Velocidade, para que o
País possa dispor, em temos operacionais e em tempo
útil, desta importantíssima infra-estrutura.
Deve notar-se, de resto, que esta decisão do actual
Governo vem no sentido das decisões tomadas por Governos
anteriores, que sempre consideraram este projecto como
muito importante para o desenvolvimento do País, tendo
inclusivamente assumido, nesta matéria, compromissos
internacionais precisos, designadamente com a vizinha
Espanha e no quadro da União Europeia.
A apresentação pública deste Projecto, que hoje vai
ser feita nesta sessão tem, assim, dois objectivos
principais :
::
Expor a fundamentação da decisão
política e estratégica tomada pelo Governo ;
::
Apresentar as orientações definidas
pelo Governo para o futuro desenvolvimento do Projecto.
Deve dizer-se, no entanto, que o Governo tem plena
consciência do atraso acumulado no desenvolvimento deste
Projecto, devido, em grande parte, à falta de decisões
de implementação nos últimos anos. Atraso que se
impõe, por isso, colmatar com urgência.
::
Quais são as questões cujas respostas o
Governo teve como decisivas para esta tomada de decisão
?
::
Qual a justificação para o investimento
na RAV ? Qual a configuração geral do Projecto RAV ?
::
Quais as prioridades da construção da
RAV e quais as características das ligações
prioritárias ?
::
Quais os impactos do Projecto RAV na
economia nacional ? Qual a estrutura do seu financiamento
?
Vejamos quais são, sucintamente, as respostas a estas
questões.
1. Qual a
justificação para o investimento na RAV? Qual a
configuração geral do Projecto RAV ?
Recordemos primeiro que as prioridades da Política
Europeia de Transportes, de acordo com a Estratégia
de Lisboa, assentam no desenvolvimento da
competitividade e do crescimento económico em bases
sustentáveis, em termos sociais, ambientais e
territoriais.
Ora a actual hegemonia do modo rodoviário face aos
outros modos de transporte tem um impacte negativo muito
significativo em termos de congestionamento, degradação
da qualidade dos serviços, deterioração do ambiente,
sinistralidade e isolamento de algumas regiões, com
relevantes consequências na perda de competitividade e
no acréscimo de custos. Segundo as estimativas do Livro
Branco - A Política Europeia de Transportes no Horizonte
2010, da União Europeia, tais custos ascenderão, em
2010, a 1% do PIB Comunitário.
Entre as propostas para ultrapassar a situação,
consubstanciadas naquele Livro Branco, ressalta uma clara
aposta no caminho de ferro, materializada através
do desenvolvimento de uma rede interoperável no espaço
comunitário, na qual se integra a Alta Velocidade, com
serviços competitivos capazes de conquistar importantes
sectores do mercado e favorecendo a sustentabilidade dos
modelos de desenvolvimento.
É por isso que a maioria dos países europeus, como a
Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica,
Itália, Holanda, Suécia, Grécia, Suiça, República
Checa, etc. já está a concretizar os seus projectos de
Alta Velocidade.
Por outro lado, os estudos realizados mostram que
Portugal, para responder à procura interna e para poder
tirar partido da sua posição geográfica estratégica
na fronteira oeste-atlântica da Europa, necessita de uma
infra-estrutura ferroviária devidamente inserida na Rede
Transeuropeia de Transportes, que lhe assegure padrões
de mobilidade sustentável, competitivos com os restantes
países europeus, tanto no transporte de passageiros como
no transporte de mercadorias.
Assim, e com base na proposta da Comissão Europeia,
resultante do trabalho realizado por um Grupo de Alto
Nível sobre a Rede Transeuropeia de Transportes, foi
aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho a
Decisão nº 884/2004/CE, em 29 de Abril, em que é
atribuída a Declaração de Interesse
Europeu a um conjunto de 30 projectos
prioritários, no qual se incluem:
::
O Projecto Prioritário nº3
(Eixo Ferroviário de AV do Sudoeste
Europeu), que integra as ligações
Lisboa-Porto, Aveiro-Salamanca, Lisboa-Madrid e as
ligações de Madrid às linhas de Alta Velocidade
francesas ;
::
O Projecto prioritário nº 19
(Interoperabilidade Ferroviária de AV na
Península Ibérica), onde se inclui a
ligação Porto-Vigo.
Para apoiar a construção destas ligações, a UE
dispõe de várias e importantes fontes de financiamento
a fundo perdido a que Portugal pode aceder.
O facto de, conjunturalmente, Portugal viver um período
de dificuldades económicas não justifica que se
interrompa o desenvolvimento destes projectos. Tal
interrupção só agravaria o atraso de Portugal em
matéria de modernidade e competitividade no espaço
Ibérico e Comunitário, perdendo, simultaneamente, uma
oportunidade única para desenvolver a inovação, a
tecnologia, e a coesão social e territorial do País e,
ainda, a criação de um número muito significativo de
postos de trabalho.
2. Quais as
prioridades da construção da RAV e quais as
características das ligações prioritárias ?
De acordo com o programa de desenvolvimento da RAV,
publicamente apresentado pelo anterior Governo e objecto
da Resolução do Conselho de Ministros nº83/2004, de 9
de Junho, as datas previstas para a conclusão das
ligações atrás referidas, a que se juntou a ligação
Évora-Faro-Huelva, foram as seguintes :
1.::
Porto-Vigo 2009
...::
Lisboa-Madrid 2010
...::
Lisboa-Porto 2013
...::
Aveiro-Salamanca 2015
...::
Évora-Faro-Huelva 2018
No que se refere às ligações entre Portugal e Espanha,
estas datas foram acordadas pelos dois Governos na
Cimeira Luso-Espanhola da Figueira da Foz, realizada em
Novembro de 2003, e posteriormente confirmadas na Cimeira
Luso-Espanhola de Santiago de Compostela, realizada em
Outubro de 2004.
A realidade, porém, é que o cumprimento destas datas
não se mostra exequível nem adequado às prioridades do
País, pelo que se torna necessário proceder à
reprogramação destas ligações.
A impossibilidade de garantir o cumprimento daquelas
datas decorre, no essencial, de duas razões: por um
lado, o desenvolvimento dos estudos verificado a partir
de 2003 não permite ainda uma decisão fundamentada
sobre a sua configuração nem sobre os prazos para a sua
concretização; por outro lado, a actual situação
económica do País exige uma afectação rigorosa dos
recursos existentes aos projectos que, de acordo com os
estudos já realizados, apresentam níveis de
sustentabilidade económica e financeira. que permitem,
neste momento, decidir sobre o seu avanço.
No que se refere às prioridades do País, tendo em
consideração que é nos grandes centros urbanos de
Lisboa e do Porto que se geram as deslocações mais
frequentes de médio curso, entende o Governo que a
ligação entre aquelas cidades, a par da ligação entre
Lisboa e Madrid, devem ter primeira prioridade,
proporcionando deslocações fáceis que viabilizem as
relações profissionais que caracterizam as economias
modernas; no cordão litoral, as nossas cidades médias
de Leiria, Coimbra e Aveiro beneficiarão também desta
ligação; a ligação com o novo aeroporto, na Ota,
ficará também assegurada, oferecendo opções
interessantes aos passageiros do transporte aéreo.
A concretização destas duas ligações em Alta
Velocidade é, assim, determinante para a integração
de Portugal na rede ferroviária europeia, criando
condições para aumentar a competitividade das nossas
regiões de maior densidade populacional e geradoras de
maior riqueza no espaço Ibérico e Europeu.
Acresce que estas ligações apresentam níveis de
sustentabilidade económica e financeira que também
justificam avançar, desde já, com a sua
concretização, além de serem determinantes para
viabilizar o desenvolvimento subsequente das restantes
ligações.
Foi neste contexto que o Governo fixou as seguintes novas
datas para a conclusão das duas ligações prioritárias
:
::
Lisboa-Madrid 2013
::
Lisboa-Porto 2015
Quanto às restantes ligações, a sua concretização
não está posta em causa. Mas as novas datas
previstas para a sua conclusão só poderão ser fixadas
após estarem terminados os estudos ainda em curso para
decidir as condições da sua viabilização.
As conclusões da última Cimeira Luso-Espanhola,
realizada em Évora no passado mês de Novembro, já
reflectem esta posição do Governo Português no que se
refere às ligações em Alta Velocidade entre os dois
países.
No nosso País, tem-se registado alguma crítica à
construção de uma linha nova, para Alta Velocidade,
entre Lisboa e o Porto, tendo-se mesmo chegado a optar,
no passado, por outras soluções baseadas, total ou
parcialmente, na modernização da linha do Norte,
para se conseguirem velocidades da ordem dos 220 km/h com
os actuais comboios de pendulação activa. A verdade,
porém, é que não se produziram os resultados esperados
em 1991 (tempo de viagem de 2h20m), depois de começadas
as obras em 1996; neste ano de 2005, continuamos com
tempos de viagem muito próximos das 3 horas e, tantos os
custos (quase 1000 milhões de euros), como a duração
(cerca de 9 anos) das intervenções feitas na Linha do
Norte ultrapassaram o inimaginável.
Mas, mesmo admitindo que esta modernização pudesse
chegar aos resultados almejados, já poucos duvidam que o
modelo de exploração da Linha do Norte, onde coexistem
explorações muito diferenciadas com comboios
(supostamente) rápidos de longo curso, inter-regionais,
regionais, suburbanos e de mercadorias, jamais poderia
gerar serviços de qualidade e que tirassem pleno
proveito das características da infra-estrutura: é que
nos serviços ferroviários, as possibilidades de
ultrapassagem são limitadas, as muitas estações das
linhas convencionais impõem afrouxamentos e as
perturbações na marcha de alguns comboios propagam-se
aos demais, afectando a pontualidade de todos, com
destaque para os mais rápidos.
No intuito, porventura ingénuo, de poupar recursos
públicos, chegou-se a pensar, na vigência do Governo
anterior, em soluções de utilização parcial da Linha
do Norte com a construção de novos segmentos com bitola
europeia, utilizando comboios com eixos extensíveis em
instalações fixas, com uma operação morosa. Estão em
causa, neste caso, tecnologias ainda pouco experimentadas
e de carácter transitório, sobretudo para velocidades
elevadas. E, previsivelmente, apenas se adiaria alguma
despesa de investimento, impondo custos de exploração
mais elevados sem se oferecer um serviço competitivo.
O Projecto da Rede de Alta Velocidade levanta uma outra
questão que gostaria de abordar: o que fazer
com a rede ferroviária existente.
Com efeito, dispomos de cerca 2200 km de linhas
férreas em bitola ibérica, com intensidades de
utilização muito diversas. Tendo em consideração que
o sucesso do modo ferroviário está associado ao
transporte de grandes volumes, que o nosso País não tem
dimensão para gerar, preferencialmente a distâncias que
também ultrapassam a nossa escala geográfica, há que
procurar soluções de modernização desta rede baseadas
em serviços internacionais, para a Espanha mas
considerando também a Europa.
Nesse sentido, é necessário remover a dificuldade
histórica decorrente da opção oitocentista pela bitola
larga e promover a implementação da interoperabilidade
ferroviária, com um plano de migração para o
standard europeu, realizado de forma coordenada com a
vizinha Espanha. Note-se que, no desenvolvimento da Alta
Velocidade, já se privilegia este procedimento,
tratando-se agora de o alargar à rede convencional.
As linhas com maior intensidade e diversidade de
tráfego, deverão, adicionalmente, ver concluídas as
suas intervenções de modernização, com
electrificação e introdução de sinalização e
comunicações modernas, não como sucedâneos da alta
velocidade que não poderão providenciar, mas para
responder e suscitar competitivamente uma procura
acrescida.
Trata-se de uma profunda renovação do nosso sistema
ferroviário, que deverá ser maduramente pensada, com
objectivos ambiciosos mas realistas, centrados no
mercado. Estou seguro de que o saberemos assumir como
desafio, cessando mais de meio século de gastos
incorridos por critérios inadequados, vultosos mas
irrelevantes, para entrar num período de investimento
reprodutivo.
3. Quais os
impactos do Projecto RAV na economia nacional ? Qual a
estrutura do seu financiamento ?
De acordo com os resultados dos estudos efectuados,
os impactos da RAV na mobilidade, socio-económicos e
ambientais são globalmente positivos e muito
significativos. As análises custo-benefício realizadas
para as linhas Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid de acordo com
a metodologia da UE permitem concluir que o Projecto
tem um retorno significativo para a economia nacional,
com taxas internas de rentabilidade económica muito
apreciáveis, em particular na linha Lisboa-Porto.
O potencial de participação da indústria nacional
na concretização do Projecto de Alta Velocidade é
elevado, quer no que se refere às fases de projecto,
construção e fornecimento de equipamentos, quer na fase
de exploração e manutenção dos serviços
ferroviários e da própria infra-estrutura.
Nas primeiras fases, haverá uma ampla participação
nacional nas actividades relativas à obra geral, que
representa mais de 60% do investimento, às
especialidades ferroviárias, telecomunicações e
tecnologias de informação e comunicação, bem como ao
nível dos interiores do material circulante. Concluída
a construção e os fornecimentos, haverá também
incorporação nacional nos próprios serviços e em
todas as inerentes actividades empresariais, na gestão
das circulações, manutenção das infra-estruturas e
oficinas de manutenção do material circulante, bem como
nos sistemas de informação associados à exploração.
O aumento da procura nestes sectores induzirá também um
incremento das actividades económicas ligadas a
fornecimentos intermédios nos sectores industriais e dos
serviços mais relacionados com o sector da construção
e, ainda, uma procura adicional num leque mais amplo e
diversificado de actividades.
O investimento a realizar na construção das linhas
Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid será, respectivamente, da
ordem dos 4,7 e dos 3 mil milhões de euros, num
total, portanto, de 7,7 mil milhões de euros, a
que acresce um investimento em material circulante da
ordem dos 480 milhões de euros. Estima-se que o
Projecto gere um cash-flow operacional que permita
cobrir cerca de 38% do investimento total necessário. A
União Europeia deverá contribuir com fundos que cobrem,
pelo menos, cerca de 22% desse investimento, cabendo ao
Estado Português, neste caso, um apoio correspondente
aos cerca de 40% remanescentes.
São estas as questões que irão ser desenvolvidas por
diversos especialistas nacionais e estrangeiros ao longo
desta sessão de apresentação que se espera
suficientemente esclarecedora das razões da decisão
tomada pelo Governo.
Como se irá ver, nem todos os aspectos relacionados com
o traçado geral das linhas Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid
estão já estabilizados, subsistindo alguns que requerem
ainda estudo e reflexão. Por outro lado, o
desenvolvimento do projecto exigirá outros estudos e
trabalhos, bem como outras decisões neles fundamentadas,
cujo programa de realização será também apresentado
nesta sessão.
É orientação do Governo prosseguir e aprofundar, com
total transparência e rigor, este processo, como aliás
é sua natural obrigação. Para o efeito, a RAVE
manterá actualizado o seu site na internet, adicionando
aos estudos e trabalhos já nele contidos, os novos
estudos e pareceres apresentados nesta sessão, bem como
os que posteriormente vierem a ser desenvolvidos. Por
outro lado, a RAVE e o MOPTC continuarão a promover a
realização de encontros e debates, designadamente com
os principais agentes intervenientes e interessados no
Projecto, com vista à mais completa identificação dos
problemas suscitados pelo seu desenvolvimento, bem como
à definição das respectivas soluções.
Porque o que está em causa e importa sublinhar, é a legítima
ambição de criar um futuro melhor para Portugal e para
os portugueses, desígnio que tanto melhor será
seguido quanto mais esta ambição for assumida e
participada por todos nós.
Muito obrigado .
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